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Os défices micronutricionais e as suas consequências

Se os níveis de micronutrientes forem baixos, isto pode ter consequências na nossa saúde. Abaixo de um determinado limiar, o nível passa a ser descrito como um défice e isso pode dar origem a patologias graves. 

Vitamina C

A vitamina C, ou ácido ascórbico, está envolvida na formação dos tecidos (pele, esqueleto, tendões, ligamentos, etc.), melhora a absorção e o armazenamento do ferro e estimula os mecanismos de defesa do organismo.
Até ser reconhecido como causa, o défice de vitamina C causava escorbuto que tinha como sintomas a fadiga, o sangramento das gengivas, nódoas negras e dores nas articulações e nos músculos - por vezes com consequências fatais. Apesar de o escorbuto já não existir, são observados baixos níveis de vitamina C nalguns indivíduos. Há muitos estudos que mostram que a vitamina C, graças às suas propriedades antioxidantes e anti-infeciosas, tem um papel a desempenhar no funcionamento correto do sistema de defesa imunitária e na prevenção das doenças cardiovasculares, de determinados tipos de cancro e de patologias dos ouvidos, nariz e laringe.

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Vitamina B9

Esta vitamina desempenha um papel fundamental para as mulheres grávidas. A vitamina B9, também chamada ácido fólico, está envolvida no fechamento do tubo neural do embrião. Um défice pode levar à malformação da futura medula espinhal do bebé (espinha bífida) que pode originar uma deficiência grave ou mesmo a morte prematura. A descoberta desta malformação conduz na maioria dos casos à interrupção terapêutica da gravidez.

A necessidade de folato aumenta durante a gravidez devido ao crescimento dos tecidos do feto e da mãe e à transferência ativa de folato para o feto. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) considera que deve ser consumido diariamente um suplemento de 400 µg de folato durante pelo menos um mês e até três meses após a conceção, para reduzir o risco de defeitos do tubo neural.

Para mulheres com risco mais elevado (com historial de malformação do feto), este suplemento é dado a uma dose mais alta (5 mg por dia) através de um medicamento.  

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Vitamina B12

A vitamina B12, ou cobalamina, está envolvida na síntese do ADN e de ácidos gordos, na produção de energia e no funcionamento do sistema nervoso. Alguns dos requisitos de vitamina B12 do organismo são satisfeitos por alimentos (especialmente carne, fígado, peixe, ovos e queijo) e o resto é sintetizado pela microbiota intestinal. Um défice é manifestado por cansaço, seguido de distúrbios do humor e da memória. 

Os indivíduos com risco de défice mais elevado são os vegans, qualquer pessoa que sofra de doença inflamatória intestinal e os idosos, visto que a sua capacidade de assimilar esta vitamina é reduzida.

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Vitamina D

Esta vitamina ajuda o cálcio e o fósforo a penetrar no organismo e apoia a remodelação óssea. Para além de impedir o raquitismo, a vitamina D é também importante para ajudar o organismo a combater a infeção. Estudos realizados mostram que tem também um efeito antitumoral e tem um papel a desempenhar na proteção cardiovascular.

A alimentação fornece apenas uma pequena fração da vitamina D de que o organismo necessita (sobretudo através de peixes gordos). O restante é sintetizado pelo organismo após a exposição da pele aos raios solares ultravioleta. 

Para assegurar a síntese de uma quantidade suficiente de vitamina D, a recomendação é expor os braços ao sol todos os dias por um período breve, por exemplo arregaçando as mangas: bastam 15 a 20 minutos.

A prevalência de um baixo nível de vitamina D na Europa é de 80 % o que pode ser resultado de síntese insuficiente pelo organismo (devido à idade ou, sobretudo nos meses de inverno, devido à falta de exposição à luz solar), ou pode dever-se ao facto de os requisitos dos indivíduos serem mais elevados, como é o caso das crianças e das mulheres grávidas, por exemplo. 

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Quem está em risco de défice de micronutrientes?

Algumas pessoas têm um risco maior de apresentarem baixos níveis de alguns micronutrientes. Os exemplos incluem as crianças e os adolescentes em fase de crescimento, qualquer pessoa que tenha uma alimentação muito desequilibrada ou restrita, as mulheres grávidas, os idosos e as pessoas que façam muito exercício físico. 

Iodo

O iodo é um oligoelemento essencial para a formação de hormonas da tiroide. Estas hormonas desempenham um papel muito importante no desenvolvimento do cérebro e em muitas das funções metabólicas do organismo. O iodo encontra-se no sal de mesa enriquecido, no marisco, no peixe e nas algas.
Nos adultos, um défice de iodo pode causar cansaço, queda do cabelo, obstipação, sensibilidade ao frio, desalento, pele seca. Nas crianças, pode afetar o desenvolvimento cognitivo e ser causa de insucesso escolar. 

Os grupos de pessoas com mais probabilidades de ter um baixo nível ou um défice de iodo são as mulheres grávidas (porque os requisitos de iodo são significativamente mais elevados nesta altura), os vegans e qualquer pessoa que faça uma alimentação com baixo teor de sal. 

Ferro 

O ferro é um componente importante da hemoglobina (que dá a cor aos glóbulos vermelhos), cujo papel é levar o oxigénio aos tecidos. Os primeiros sinais de défice são o cansaço, a palidez, falta de ar e maior suscetibilidade à infeção.
As principais fontes de ferro são os alimentos derivados de animais (carne, fígado, ostras, etc.) e algumas plantas, especialmente os legumes. O ferro de origem animal é, contudo, mais facilmente assimilado pelo organismo do que o ferro de origem vegetal. Quando tomada ao mesmo tempo, a vitamina C facilita a absorção digestiva do ferro.

Segundo a OMS, o défice de ferro é o défice mais comum a nível mundial.
As principais causas de um baixo nível ou défice de ferro são a perda de sangue crónica (fluxo menstrual elevado ou prolongado, perda de sangue no intestino, hemorróidas, etc.) e uma ingestão insuficiente, por exemplo devido a uma alimentação desequilibrada, como uma dieta vegetariana ou vegan.
As condições inflamatórias crónicas, a obesidade e a gravidez podem também originar um défice de ferro devido a má absorção do mineral nos intestinos ou a requisitos mais elevados. 

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Magnésio

O magnésio está envolvido em praticamente todas as funções metabólicas do organismo.
Atua na transmissão de impulsos nervosos, na descontração muscular, no equilíbrio ácido-básico e no equilíbrio cardiovascular, assim como na formação dos tecidos.
Os primeiros sintomas de défice de magnésio são ansiedade, cansaço, cãibras musculares e tremores, distúrbios do sono, ritmo cardíaco instável ou acelerado. 

O magnésio encontra-se nos legumes secos, nos cereais integrais e em frutos secos com elevado teor de óleo (nozes, amêndoas, etc.), que são muitas vezes esquecidos pela nossa alimentação moderna. 
Numerosos estudos realizados mostram que o consumo está abaixo da quantidade recomendada numa grande parte da população em países como os EUA, o Canadá, a China e vários países europeus [1-5]

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Fontes bibliográficas:

  • Bertrand Guérineau (2010) Les secrets de la micronutrition. Publicado por Albin Michel.
  • Le guide des compléments alimentaires 2010. Publicado por Vidal.
  • Etude nationale nutrition santé (ENNS), Bulletin épidémiologique hebdomadaire de l’Institut de veille sanitaire (InVS) n° 16-17, 24 abril 2012
  • Etude SU.VI.MAX (Supplémentation en Vitamines et Minéraux Anti-oxydants), Dr S. Hercberg, 1994 -2003
  • https://www.anses.fr/fr/content/les-vitamines-par-le-menu
  • “Acide folique et grossesse”, La Revue du Praticien, novembro 2016.